Prólogo
Para ela todo e qualquer ruído parecia se intensificar em meio à escuridão. Tentou enxergar o céu através das brechas por entre as árvores e levantou a cabeça, rezando para que alguém a encontrasse ali. De repente a lua cheia tornou-se assustadoramente escarlate, quase da cor de sangue; ela poderia jurar que vira o líquido viscoso espalhando-se ao redor.
Estremeceu e fechou os olhos, sentindo a cabeça girar num ritmo descontrolado. Lembrou que alguém havia dito que alucinações e tonturas eram os primeiros sintomas. Pouco a pouco sua respiração se tornava irregular; ofegava tentando encher os pulmões com o máximo de oxigênio que conseguia. Seu corpo exausto implorava por descanso, mas ela sabia que se parasse por mais que alguns segundos a sensação de estar caindo voltaria com toda força.
Estava assustada, cambaleando absolutamente sozinha na floresta escura. Seu estômago doía, contraindo-se contra os efeitos inevitáveis. Não podia parar, tinha de prosseguir em sua difícil caminhada, só assim os efeitos pareciam diminuir.
Um gosto amargo ainda estava em seus lábios e ela se perguntava quanto tempo aquele pesadelo iria durar, quando o veneno finalmente começaria a destruir sua vida, se é que já não havia começado. Seu tempo estava se esgotando e achava que jamais encontraria ajuda. Era como lutar impotente contra os ponteiros de um relógio que, obstante a tudo, prosseguia seu contar.
Lágrimas quentes inundavam seu rosto. Não tinha como escapar. Estava condenada a cada segundo que a afastava da lucidez, da vida e do homem que amava.
...continua.









